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Árbitro treina time de várzea e até pede para jogador bater


4 de setembro de 2014, 22h09

Vanderlei Lima
Do UOL, em São Paulo

Guilherme Ceretta de Lima é árbitro da Federação Paulista de Futebol, aspirante à FIFA e sabe bem como é apitar um jogo com todos em volta cornetando. Pela lógica, deveria ser o último a repetir este comportamento nos horários de folga, quando é treinador do Grêmio União São Roquense. Mas quem disse que ele se controla?

Questionado sobre quantas vezes o juiz da partida pediu para que se retirasse do banco de reservas, Ceretta sai com uma resposta nada animadora. “Como treinador eu não consigo nem falar quantas vezes eu fui expulso. De uns anos pra cá estou bem melhor, mas era expulso todo o jogo.”

Ele também revela que é um técnico que exige marcação forte no adversário e não permite que os jogadores cheguem frouxo nos lances. “Quando eu sou o treinador ninguém gosta de jogar contra porque o meu time bate pra caramba. Não é para matar os caras, mas é pra chegar sem dó. Se é para mamãe chorar, que chore a mãe dele.”

O comportamento das equipes que comanda é reflexo da atitude que tinha em campo quando jogava como volante. Ceretta lembra que o seu modo de atuar rendeu o apelido de “automática”. “Jogava uma partida e cumpria a outra”.

Mas não significa que o árbitro nunca levou a pior. Um vídeo de 17 de abril de 2012 mostra o volante saindo de campo com o rosto cheio de sangue. Consequência de um adversário que deixou o cotovelo na direção dele. “Quebrou em três lugares. É porque meu nariz é muito grande, tem muito espaço para quebrar.”

Mesmo com a violência do lance, a atitude do juiz que apitava aquela partida não foi nada enérgica. “Eu só fui agradecer o árbitro por ele não ter dado nem falta. Se aquilo não for nem falta o que é falta então? Nem falta ele deu e quando viu que era eu falou: bem feito, 1 a 0 pra nós (risadas).”

Ceretta explica que as imagens foram feitas quando defendia outro time. Hoje, joga apenas os amistosos do São Roquense e nos confrontos do campeonato de várzea fica apenas de técnico. Como ele mesmo confessa, não se comporta no banco de reservas e por isso ouve sermão dos homens do apito da várzea.

“Quando eu reclamo de alguma coisa com os árbitros eles falam: quando você está lá apitando você não quer que o técnico faça isso. Na hora que eu reclamo eles falam: é engraçado! Ontem, o cara lá reclamou e você não deu nem falta. Agora quer que eu dê”.

Com tantos papéis desempenhados no futebol – jogador, treinador e volante – Ceretta tem um ídolo para cada função. Na arbitragem se espelha em Wilson Luiz Seneme. Como volante, gostaria de ser como Alexandre Galo. O técnico modelo é José Mourinho. “Chato pra c…, ninguém gosta dele”, resume.




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