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Para FHC, presidente Dilma deveria renunciar

ESTADÃO
DA REDAÇÃO 31 de outubro de 2015, 16h10

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a presidente Dilma Rousseff teria como melhor alternativa para a crise política propor um pacto pelo qual aceitaria renunciar ao mandato mediante a aprovação de reformas que dificilmente o Congresso e os partidos aceitariam fazer por conta própria – como melhorar os sistemas partidário e eleitoral, além do previdenciário.

‘Ou ela assume e chama o País às falas, apresenta um caminho crível para o País e recupera a força para poder governar, ou então ela pelo menos deixa uma marca forte: ’Eu saio se vocês aprovarem tal e tal coisa’‘, afirmou o ex-presidente tucano, em entrevista à Rádio Gaúcha, do Grupo RBS.

FHC

‘Como a presidente está em uma situação tão delicada, tão difícil, de tão baixa popularidade e, ao mesmo tempo, com tanta dificuldade de aprovar qualquer coisa no Congresso, o que seria com grandeza? ’Olha aqui, vocês querem que eu saia? Eu saio, mas vocês primeiro me deem tais e tais reformas, para criar um clima mais positivo.’‘

’Reforma eleitoral’

Para o tucano, as prioridades dessa agenda deveriam ser as regras das disputas eleitorais e o sistema público de pagamento de pensões e aposentadorias.

‘Muda a reforma eleitoral, porque esse sistema está fracassado. Mexe a Previdência, porque se não vai falir. Exige umas tantas coisas que sejam anseios nacionais e: (diz) ’Se fizerem isso, eu caio fora’. Um gesto e, se fizer isso, nem cai fora, porque ganha (força política).‘

Há pelo menos dois meses, FHC tem defendido publicamente a renúncia como um ‘gesto de grandeza‘ para Dilma. Logo após as manifestações contra o governo e o PT de 16 de agosto, o ex-presidente publicou em seu perfil no Facebook: ‘Se a própria presidente não for capaz do gesto de grandeza – renúncia ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional -, assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lava Jato. Até que algum líder com força moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais‘.

Na entrevista desta sexta, motivada pelo lançamento do primeiro de quatro volumes da série de livros ‘Diários da Presidência‘, em que relata o dia a dia no Palácio do Planalto, FHC se mostrou cético em relação à situação de Dilma.

‘Do jeito que está, ela pode até ficar (até o fim do mandato), mas vai empurrar o tempo com o barriga sem conseguir resultados satisfatórios‘, avaliou. Por isso, segundo o tucano, a renúncia seria o ‘menos custoso‘ ao País.

Novamente questionado sobre a possibilidade de impedimento de Dilma, o ex-presidente observou que ‘impeachment é um processo longo‘, um ‘debate que paralisa o País‘.

‘Uma decisão do Tribunal (Superior) Eleitoral que anule a eleição provoca também uma grande confusão, eleição de novo‘, afirmou FHC, seguindo caminho diferente de setores do PSDB, que encampam um pedido de afastamento da presidente. O partido é autor de ação que pede a impugnação da chapa reeleita no TSE. ‘Tudo isso é muito fácil de falar, mas quem conhece o processo histórico sabe que tem um custo para o País muito elevado.‘

Ao comparar na semana passada as dificuldades de seu governo com o PT na oposição às enfrentadas por Dilma, FHC disse ao Estado que os tucanos não deveriam agir como os petistas fizeram no passado.




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